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Rastreabilidade do ouro entra na pauta da Câmara e setor pede ajustes para evitar estímulo à ilegalidade

Proposta está em regime de urgência no Plenário; FPMin alerta para riscos de aumento de custos e informalidade

O Projeto de Lei nº 3025/2023, que estabelece regras para o controle da origem, comercialização e transporte de ouro no Brasil, está em regime de urgência e aguarda apreciação pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta, de autoria do Poder Executivo, é considerada estratégica pela Frente Parlamentar da Mineração Sustentável (FPMin), que acompanha o debate e defende o aprimoramento do texto para garantir sua efetividade.

Presidente da FPMin, o deputado Zé Silva afirma que a rastreabilidade é um instrumento essencial no combate à ilegalidade, mas alerta para a necessidade de ajustes no modelo proposto.

“A rastreabilidade é uma agenda estratégica para o país e um instrumento fundamental no enfrentamento da mineração ilegal. No entanto, o texto precisa de aperfeiçoamentos urgentes para que funcione na prática e não produza efeitos contrários ao desejado”, disse.

Segundo o parlamentar, há preocupação no setor com o risco de a proposta impor custos desproporcionais à cadeia produtiva formal, ampliar a burocracia e, paradoxalmente, estimular a informalidade e o garimpo ilegal.

“A bancada da mineração defende que qualquer avanço regulatório esteja baseado em três pilares: segurança jurídica, previsibilidade regulatória e equilíbrio econômico”, afirmou.

Governança e desafios do setor

A FPMin também defende medidas estruturantes para fortalecer a governança do setor mineral. Entre elas, o aprimoramento institucional da Agência Nacional de Mineração (ANM) que precisa de mais estrutura para ampliar sua capacidade de fiscalização e controle.

Outro ponto destacado é a importância da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), considerada fundamental para o desenvolvimento regional, ao direcionar recursos para infraestrutura, saúde e educação em municípios mineradores.

A Frente ainda ressalta o papel das cooperativas de garimpeiros legalmente constituídas. Para a bancada, quando organizadas e fiscalizadas, essas cooperativas contribuem para a inclusão produtiva, geração de renda e diferenciação entre a atividade regular e práticas ilegais ligadas ao crime organizado.

Vice-presidente da FPMin no Senado, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) afirma que o país ainda enfrenta dificuldades na organização do setor mineral, especialmente no que diz respeito ao pequeno produtor.

“É um tema fundamental para o país. O Brasil ainda carece de maior organização no setor, e há dificuldades na regulamentação, principalmente para o pequeno minerador, que precisa de mais apoio”, disse.

Para o senador, a rastreabilidade representa um avanço importante, mas depende de condições reais de implementação.

“É preciso saber onde o ouro foi extraído, por onde passou e como chegou ao mercado. Isso garante transparência e credibilidade. Mas é essencial criar condições para que esse sistema funcione, especialmente na base”, afirmou Zequinha.

Na Câmara, o vice-presidente da FPMin, deputado Zé Rocha (União-BA), reforça a importância de equilibrar o combate à ilegalidade com a proteção da atividade regular.

“A cadeia mineral é estratégica para o Brasil, que possui uma das maiores reservas minerais do mundo. Precisamos de uma legislação que proteja quem atua dentro da lei e combata, com firmeza, a ilegalidade”, disse.

Segundo Zé Rocha, a ausência de regras eficazes permite que o ouro extraído de forma irregular continue circulando fora dos padrões legais, prejudicando o setor formal.

“É fundamental fortalecer os mecanismos de controle, garantindo segurança jurídica e condições justas para quem produz corretamente”, afirmou.

A diretora de Pesquisa Mineral, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), avalia que a rastreabilidade pode ser um divisor de águas para o setor, desde que bem estruturada.

“A rastreabilidade permite separar o joio do trigo. Ela garante que o minerador que atua corretamente não seja prejudicado pela ilegalidade e impede que o ilegal se sobreponha ao que é legal”, disse.

Para a deputada, “o instrumento é essencial para fortalecer a mineração responsável e trazer mais equilíbrio à cadeia produtiva”.

A FPMin reforça que a rastreabilidade do ouro é necessária — mas precisa funcionar na prática, com regras claras, aplicáveis e alinhadas à realidade do setor mineral brasileiro.